quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Marquês de Sapucaí — Entre o Brilho e a Perda da Essência


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Marquês de Sapucaí

 — Entre o Brilho e a Perda da Essência



Durante décadas, a Marquês de Sapucaí foi mais do que um palco de desfiles — foi ponto de encontro de grandes artistas, intelectuais, empresários, políticos e formadores de opinião. O carnaval, enquanto uma das maiores manifestações culturais do Brasil, reunia ali não apenas foliões, mas nomes que compreendiam a grandeza simbólica daquele espaço.


Os camarotes tinham glamour, mas também tinham critério. As frisas eram território de quem queria ver o desfile de perto, sentir a vibração da bateria, perceber o detalhe da fantasia, acompanhar a evolução da escola. Havia festa, claro — mas havia sobretudo respeito à avenida.


Hoje, o que se observa é um fenômeno curioso e preocupante: a transformação do espaço cultural em vitrine social. A ascensão dos chamados “influenciadores digitais” — muitos sem qualquer ligação com o samba ou com a cultura carnavalesca — alterou profundamente a dinâmica dos camarotes. O foco deixou de ser o desfile e passou a ser o enquadramento da câmera.


Não se trata de saudosismo gratuito, mas de uma mudança perceptível de comportamento. O que antes era encontro e apreciação virou superlotação, consumo em excesso e música paralela que compete com a bateria da escola. O “vip” perdeu o significado. Em muitos casos, o status parece comprado — seja em dinheiro, seja em exposição digital.


Enquanto isso, parte das verdadeiras personalidades — aquelas que não precisam provar pertencimento — opta por frisas, cadeiras numeradas ou até arquibancadas. Lá, podem assistir ao desfile com atenção, sem disputa por espaço, sem a necessidade de performar para as redes sociais.


Há ainda outro contraste marcante: as grandes estrelas do carnaval continuam sendo as pessoas da comunidade. São elas que costuram fantasias, ensaiam meses, carregam alegorias, sustentam a tradição. A rainha de bateria da comunidade, que vive o samba o ano inteiro, muitas vezes representa mais a essência da festa do que figuras momentâneas que surgem apenas para a fotografia e desaparecem após os likes.


A crítica não é à modernidade, nem à presença de novos públicos. O carnaval sempre foi democrático. O problema é quando a superficialidade se sobrepõe ao conteúdo; quando o espetáculo vira pano de fundo para autopromoção; quando a experiência coletiva é substituída pela busca individual por visibilidade.


Talvez as grandes personalidades não tenham “sumido”. Talvez apenas tenham escolhido lugares mais silenciosos, onde ainda seja possível ouvir o surdo da bateria sem interferências. Ou talvez estejam aguardando que o pêndulo cultural retorne ao equilíbrio.


O carnaval resiste porque nasce da comunidade. A avenida continua brilhando porque há quem acredite nela além do camarote. E enquanto houver quem viva o samba de verdade — não apenas quem o use como cenário — a essência jamais desaparecerá.


A pergunta que fica é: estamos indo à Sapucaí para viver o carnaval ou para parecer que estivemos lá?


Turismo Internacional de Alto Padrão: Planejamento Estratégico, Curadoria e o Protagonismo do Viajante 50+


Turismo Internacional de Alto Padrão: Planejamento Estratégico, Curadoria e o Protagonismo do Viajante 50+



Por Júnior Mosko


O turismo internacional vive uma transformação silenciosa, porém profunda. O que antes era associado à ostentação, à quantidade de destinos visitados ou ao acúmulo de experiências em ritmo acelerado, hoje dá lugar a uma nova métrica de valor: inteligência de percurso.


Em um cenário de excesso de informações, avaliações conflitantes e ofertas padronizadas, o verdadeiro diferencial deixou de ser apenas o acesso — passou a ser a capacidade de escolher com precisão.


Dados da Organização Mundial do Turismo indicam a retomada consistente das viagens internacionais nos últimos anos, mas com uma mudança relevante no perfil do consumidor: o viajante está mais criterioso, menos tolerante a improvisos e mais atento ao custo do erro.



Da ostentação à estratégia



O luxo contemporâneo não está apenas na suíte presidencial ou na classe executiva. Ele está na arquitetura da jornada.


Planejar deixou de ser etapa operacional e tornou-se parte central da experiência. Um roteiro bem estruturado reduz fricções, evita deslocamentos desnecessários, organiza a energia emocional do viajante e cria fluidez entre as experiências.


Em viagens internacionais — onde tempo, moeda estrangeira e logística complexa elevam o investimento — improvisar pode custar caro. Uma hospedagem mal localizada pode gerar horas perdidas. Um deslocamento mal calculado pode comprometer reservas exclusivas. Uma agenda superlotada pode transformar expectativa em exaustão.


O planejamento estratégico atua como proteção de ativos invisíveis: tempo, energia e bem-estar.



O custo do erro no turismo de alto padrão



Com passagens internacionais mais onerosas e serviços premium mais disputados, o erro deixou de ser apenas um contratempo — tornou-se risco financeiro e emocional.


Além disso, há um fator cada vez mais discutido no comportamento de consumo de alto padrão: o esforço cognitivo. Consumidores com maior poder aquisitivo priorizam serviços que reduzem a necessidade de múltiplas decisões e oferecem segurança de escolha.


No turismo, isso se traduz em:


  • Curadoria especializada
  • Itinerários sob medida
  • Seleção criteriosa de fornecedores
  • Antecipação de possíveis imprevistos
  • Clareza de propósito em cada etapa da viagem



Luxo, hoje, é coerência.



O protagonismo do viajante 50+



Um dos públicos mais relevantes nesse novo cenário é o passageiro 50+.


Trata-se de um viajante experiente, economicamente ativo e culturalmente interessado. Em muitos casos, possui maior disponibilidade de tempo e maior capacidade de investimento. Mas, acima de tudo, possui repertório.


O erro recorrente do mercado é padronizar esse público — seja oferecendo roteiros excessivamente acelerados, seja propondo experiências desalinhadas ao seu momento de vida.


O viajante 50+ não quer ser embalado em viagens genéricas. Ele busca:


  • Ritmo equilibrado
  • Conforto logístico inteligente
  • Hospedagens bem posicionadas
  • Experiências culturais consistentes
  • Segurança e previsibilidade



Planejar para esse perfil exige sensibilidade e responsabilidade. Não se trata de limitar intensidade, mas de adequar estímulos. Energia torna-se ativo estratégico. Tempo, patrimônio inegociável.


Um roteiro bem desenhado para o público 50+ pode incluir alta gastronomia, arte, história, natureza e experiências exclusivas — desde que organizadas com fluidez e propósito.



Curadoria como responsabilidade



Curadoria não é apenas selecionar hotéis renomados. É compreender o perfil emocional do viajante. É equilibrar descanso e estímulo. É saber quando intensificar e quando desacelerar.


Como empresário e curador de experiências, defendo que o planejamento não deve ser percebido como burocracia, mas como investimento. Ele reduz desgaste, protege recursos e amplia a qualidade da vivência.


O turismo internacional de alto padrão está deixando de premiar a quantidade para valorizar a intenção.


Planejar tornou-se o novo ativo de luxo porque organiza a experiência antes mesmo do embarque.


Em um mundo acelerado, sofisticação é escolher o caminho com consciência.


Júnior Mosko


terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Júnior Mosko entra para a lista dos homens mais bem vestidos de 2025 da revista internacional GQ

Júnior Mosko acaba de alcançar um reconhecimento de grande prestígio no universo da moda: seu nome integra a lista dos Homens Mais Bem Vestidos de 2025, divulgada pela renomada revista internacional GQ — uma das publicações mais influentes do mundo quando o assunto é estilo, elegância e comportamento masculino.


Conhecido por um visual autoral e marcante, Júnior Mosko se destaca por ousar com sofisticação, equilibrando perfeitamente o clássico e o contemporâneo. Sua estética vai além da roupa: traduz identidade, atitude e uma elegância que se impõe de forma natural.


A presença de Júnior Mosko na lista da GQ consolida sua imagem como referência de estilo em 2025, reforçando que elegância não é tendência passageira, mas uma construção de personalidade, coerência e autenticidade. Mais do que bem vestido, ele se firma como um nome que inspira e comunica através da moda.


quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

Então é Natal

Então é Natal.

Chegou a noite esperada —

mas chegou com passos leves,

como quem tem medo de acordar a saudade.


Era o primeiro Natal sem a presença física do papai,

que nos deixou este ano

e ficou morando onde o tempo não alcança.


A família inteira reunida.

Éramos onze.

Agora somos dez.

Um número que pesa,

não pelo que falta na mesa,

mas pelo espaço vazio no coração.


Mamãe estava linda.

Linda como sempre.

Mas havia no olhar um ponto distante,

um lugar onde ela escondia a dor

para que ninguém percebesse.

Mães fazem isso:

seguram o mundo para que os filhos não vejam ruir.


Inventamos risos.

Criamos um amigo secreto invertido.

Foi divertido.

Tentamos vestir a noite de descontração,

como quem coloca flores numa ferida

para que ela doa menos.


Estávamos ali,

na beira da piscina —

um dos lugares onde mais nos reunimos,

onde tantas histórias já ecoaram.


Então é Natal.

Com abraços contidos.

Sem muito barulho.

Porque a ausência também faz som

— um som que só o coração escuta.


E então, naquele instante,

olhei para o vazio

e ele se encheu de presença.

Seu rosto estava ali:

sorrindo,

balançando a cabeça,

como se dissesse em silêncio:

“Segue. Você está indo no caminho certo.”


O peito apertou.

O coração ficou aflito.

Segurei a mão da minha mãezinha.

Observei a família conversando,

comendo,

brindando.


E fiquei feliz.

Porque o maior aprendizado foi cumprido:

a família reunida.


A missão continua.

Agora somos dez.


A madrugada chega.

Vamos dormir.


O travesseiro chora em silêncio.

A oração vem forte,

cheia de falta.

Faltou aquele “Feliz Natal”

que sempre me enchia de alegria.

Faltou o “Feliz Natal, fio, eu te amo”

sussurrado no ouvido.

Faltou o abraço que não chegou.


Ah, pai…

que saudade.


A casa acordou diferente.

Um pouco triste.

Ninguém disse “bom giorno”.

Os sorrisos estavam tímidos,

meio aprendendo a existir de novo.


É isso.

Um Natal diferente.

Com uma ausência que não tem como não sentir.


Mas também com amor.

Com memória.

Com laços que permanecem.


Porque quem parte

nunca vai embora por completo.

Fica nos gestos,

nas orações,

nos silêncios…

e, principalmente,

no amor que não acaba.