terça-feira, 11 de novembro de 2025

Um dia comum, uma loja qualquer, uma poltrona e um Papai Noel — e o coração da gente vivendo poesia sem perceber.

Hoje saí com minha mãezinha e o Adriano para comprar algumas coisinhas de reforma. No meio da loja, entre tintas, parafusos e sonhos em construção, meus olhos foram direto para uma poltrona ao lado de um Papai Noel enorme.

Sem pensar duas vezes, falei: “Mamãe, senta aqui pra eu tirar uma foto!” E ela, com aquele jeitinho doce e paciente, sentou-se. O tempo pareceu parar por um instante.


Enquanto o Adriano se perdia entre prateleiras escolhendo objetos, eu fiquei ali… com ela.

Minha mãezinha.

A vida inteira resumida em uma presença.

E, de repente, vem aquela sensação silenciosa — a de que o tempo escorre pelas mãos, sem pedir licença. Uma lágrima teima em escapar, e eu disfarço, como quem tenta enganar o próprio coração.


Há algo no olhar dela… um cansaço leve, uma ternura antiga. E então vem a pergunta que nunca se cala: por que tudo passa tão rápido?


O amor, esse sentimento que aquece e dilacera ao mesmo tempo, é talvez o mais bonito e o mais doloroso de todos.

Porque amar é saber que cada momento é um pedacinho de eternidade que a gente tenta segurar, mesmo sabendo que vai escapar.