Às vezes eu penso…
a vida me levou tão longe que quase esqueci
como era ouvir meu próprio coração sem pressa.
Eu viajei — por dentro, por fora,
por entre palcos, pessoas, lembranças e medos.
Viajei porque precisava me achar.
Viajei porque, no fundo, tinha medo de parar
e descobrir que algumas partes de mim doíam mais
do que eu estava pronto para sentir.
Mas, quanto mais longe eu ia,
mais uma voz suave me acompanhava,
como quem caminha ao lado sem ser vista:
“Quando cansar, volte para casa.”
E eu segui…
Segui acreditando que o mundo inteiro
poderia me explicar quem eu era.
Segui acreditando que o brilho de fora
poderia curar o vazio de dentro.
Mas a vida — essa professora paciente —
me mostrou que não há viagem bonita
quando a alma está com saudade do que ficou para trás.
Então eu parei.
Respirei.
E percebi que voltar não era fracasso,
não era desistir…
Era apenas reconhecer que algumas partes de mim
só florescem no lugar onde me chamam pelo nome certo.
Porque existe um canto do mundo —
quieto, pequeno, profundo —
onde eu não preciso ser forte,
não preciso ser espetáculo,
não preciso dançar para provar nada.
Eu só preciso ser eu.
E é ali que a vida me toca no ombro
com uma ternura antiga e me diz:
“Filho… chegou a hora. Volte.”
E eu volto.
Volto com o cansaço e com a beleza,
com as feridas e com as vitórias,
com tudo o que aprendi tentando me perder.
Volto porque é na casa —
não a de paredes, mas a de afetos —
que finalmente entendo
por que precisei viajar tanto
para me reencontrar.