sexta-feira, 24 de outubro de 2025

✨ Antes do Espetáculo ✨

No camarim, o tempo parece suspenso.

Entre pincéis e reflexos no espelho, nasce o silêncio que antecede o sonho.

Ali, a alma se despede do mundo comum e veste o mistério da arte.


Sempre vem uma reflexão — o coração treme, as mãos suam,

e uma voz sussurra: “será que o público vai sentir o que eu sinto?”

Ou, diante das luzes da TV, “será que o convidado vai abrir o coração?”


Enquanto tantos apenas ligam a câmera e seguem,

nós, os do bastidor, respiramos o invisível.

Ser artista é viver à beira do abismo —

falta ar quando não há palco, falta chão quando não há cena.

Na maquiagem, começamos a sonhar outra vez.

O palhaço, mesmo ferido, ajeita o sorriso,

porque sabe: alguém na plateia precisa dele inteiro.

E eu sigo — fiel ao meu público, à minha entrega, à minha verdade.

Mesmo quando o pensamento sopra baixinho:

“Será que já não é hora de sair de cena?”

Eu respiro fundo… e entro.

Porque o palco ainda me chama pelo nome.

Fotos José Santos